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Mildred Delores Loving, Jetter de seu apelido de solteira, que deixou o seu nome para sempre ligado à luta pela igualdade racial perante a lei nos Estados Unidos, morreu no passado dia 2 de Maio de pneumonia na sua casa de Central Point, no Estado norte americano de Virgínia.
Mildred Jetter, com origens rapahannock e cherokee, preferia coonsiderar-se índia, mas tal como o resto da família, foi classificada desde pequena como preta. Richard Loving, branco, conheceu Mildred nos bancos das escolas. Começaram muito cedo a namorar e Mildred acabou por engravidar aos 18 anos. Decidiram então casar-se.
Na Virgínia, tal como em 19 outros estados americanos em 1958, os casamentos interraciais eram proibidos. Assim, Mildred e Richard foram a Washington, onde não existia esta proibição, casaram-se, voltaram para casa e penduraram o certificado de casamento na parede do seu quarto.
No entanto, na estado da Virgínia, o casamento celebrado em Washington não era considerado legal. Assim, passado pouco tempo, o xerife da vila prendeu o jovem casal. Acusados de violarem a Lei da Integridade Racial do Estado da Virgínia, foram condenados a um ano de cadeia cada um, que foram substituidos por obrigação de residirem fora do Estado durante vinte e cinco anos e nunca o visitarem juntos. O juiz que passou esta sentença fez, nessa altura, uma declaração notória que viria a ser citada pelo Presidente do Supremo quando da anulação da sentença: "Deus todo poderoso criou as raças branca, preta, amarela, malaia e vermelha e pô-las em continentes separados. E, se não houvesse interferência com este Seu arranjo, não surgiriam casamentos assim. O facto de Ele ter separado as raças mostra que não tinha intenção de as misturar."
Passados alguns anos a viver em Washington, os Darling sentiram falta da sua terra natal. Escreveram uma carta a Robert Kennedy, então Ministro da Justiça, que os pôs em contacto com uma Associação de Direitos Cívicos. O caso foi levado de instância em instância até ao Supremo Tribunal de Justiça, em Washington, o qual, em 1967, declarou inconstitucionais as leis ainda então vigentes em 20 Estados da União que criminalizavam o casamento de pessoas de raças diferentes. Um marco fundamental na marcha da liberdade dos americanos!
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