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A intolerância e discriminação que continuam a existir numa Europa cada vez mais multicultural e o papel que os media podem desenvolver a favor da diversidade e na luta contra o racismo juntam dia 22 de Abril, diversos jornalistas europeus em Sevilha.
Mais de quatro dezenas de profissionais de media generalistas e étnicos de diversos países europeus, incluindo Portugal, e várias organizações internacionais participam a partir de quarta-feira na iniciativa do Conselho da Europa "Intercultural Dialogue against Discrimination: Crossed media perspectives from Andalusia and Europe", em Sevilha, Espanha.
Parte integrante da "Campanha Diga NÃO à Discriminação" e do "Programa Cidades Interculturais" do Conselho da Europa, este encontro visa "encorajar as boas práticas na cobertura mediática das questões interculturais e discriminação entre os jornalistas europeus".
Operada em parceria com os media de toda a Europa, esta campanha procura sensibilizar a opinião pública sobre as várias formas de intolerância e discriminação de que ainda são alvo certos grupos de pessoas, numa Europa cada vez mais multicultural.
A "Campanha Diga NÃO à Discriminação", da qual o alto-comissariado para a Imigração é parceiro e que será lançada em Portugal na Semana da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento 2009, em Maio, abrange os 47 Estados-membros do Conselho da Europa e incide sobre vários aspectos da discriminação ligados às atitudes e preconceitos racistas, em particular os que são dirigidos às pessoas das comunidades judia, muçulmana e cigana.
A ideia do encontro de Sevilha, que é apoiado pela Aliança das Civilizações da ONU, é pôr os diversos profissionais de imprensa, televisão, rádio e multimédia a trabalhar sobre estas questões e reflectir sobre a imagem que os media constroem acerca dos estrangeiros, imigrantes e indivíduos pertencentes a outras etnias ou religiões.
O último relatório sobre Portugal da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, de 2007, refere que, em Portugal, apesar de "não ser um país racista", persiste "um ambiente propício para o racismo, baseado em preconceitos e estereótipos que são alimentados pela falta de conhecimento do outro".
Segundo o documento daquele órgão independente, a comunidade cigana é a mais discriminada em Portugal, enfrentando dificuldades na relação com a população, autoridades e polícias.
A nível europeu, o racismo e a discriminação são encarados como um problema grave: dados do Eurobarómetro referem que 64 por cento dos cidadãos europeus são da opinião de que a discriminação existe de forma generalizada dentro do seu país, sendo que 51 por cento considera que não estão a ser desenvolvidos esforços suficientes para combater este fenómeno.
No encontro de Sevilha participam o ex-Presidente da República e actual alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio, e vários membros do Governo espanhol, entre os quais secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Ángel Lossada Torres-Quevedo, e personalidades do Conselho da Europa.
Lusa
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