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Declaração Durban II é 'passo em frente' para definir questões pendentes

O ex-Presidente português Jorge Sampaio classificou a declaração sobre racismo da conferência Durban II como um "passo em frente" que vai ajudar a "melhor definir questões pendentes", mas lamentou a saída de vários países ocidentais da reunião.

"Acho que é um progresso em relação a Durban I e isso é positivo, mas lamento que países ocidentais tenham saído e não estiveram nesse consenso. Percebo o seu ponto de vista, mas não estou de acordo", afirmou à Lusa o ex-Presidente da República e actual Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Numa entrevista à agência Lusa antes de partir de Sevilha, Espanha, onde participou numa conferência sobre racismo e diálogo intercultural do Conselho da Europa, Jorge Sampaio considerou "importante o esforço que se fez para encontrar um documento único".

"Se não houvesse documento e consenso estaríamos muito pior. É um passo que beneficiará um conjunto de actividades de instituições e debates sobre os temas que constam desse documento", afirmou, salientando que isso "vai ajudar à melhor definição de alguma das questões que estão pendentes".

"É um documento bem feito dentro das possibilidades e divergências que existem", acrescentou.
Os participantes na conferência da ONU a decorrer em Genebra, designada Durban II, aprovaram terça-feira, por aclamação, a declaração final sobre o racismo.

O texto devia ser votado sexta-feira, último dia da conferência, mas os diplomatas decidiram antecipar a votação após o escândalo provocado segunda-feira pelo discurso anti-israelita proferido pelo chefe de Estado iraniano, que levou a que muitos representantes, incluindo os portugueses, abandonassem o local enquanto Mahmud Ahmadinejad discursava.

Sobre a aprovação da declaração, Jorge Sampaio foi peremptório: "Temo que nos habituar aos passos grandes, pequenos e médios. Acho que foi um passo em frente. O tamanho desse passo é que vamos ver nos meses seguintes", disse.

Quanto ao discurso de Ahmadinejad, o antigo Presidente da República afirmou: "É um discurso que critico fortemente porque não contribui para nada, muito pelo contrário."

"É sempre uma volta ao passado. Estamos cheios de passado, o problema é saber como vamos construir o futuro. Voltar para trás não ajuda em nada para a urgência de construir formas de relacionamento no futuro, que é uma urgência dominante neste momento", frisou.

O Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações classificou a reacção dos representantes que abandonaram a sala em protesto de "inevitável", salientando que "não se pode admitir que se inflame mais a dissonância internacional naqueles termos e daquela maneira".

"Percebo perfeitamente, se lá estivesse faria o mesmo", garantiu, lembrando, porém, que muitos dos países que manifestaram a sua recusa naquele entendimento "voltaram para ajudar encontrar um consenso".

A Conferência de Revisão sobre o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância visa dar seguimento à de 2001, na cidade sul-africana de Durban, avaliando a aplicação nestes oito anos da Declaração de Durban e Programa de Acção, considerada a primeira estratégia mundial contra o racismo.

Lusa

 
 
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